Ceará acelera, o Rio Grande do Norte observa
Mais uma vez, o Ceará se movimenta com rapidez para ocupar espaços estratégicos da nova economia enquanto o Rio Grande do Norte acompanha o processo à distância. A…

Mais uma vez, o Ceará se movimenta com rapidez para ocupar espaços estratégicos da nova economia enquanto o Rio Grande do Norte acompanha o processo à distância. A aprovação, pela Assembleia Legislativa cearense, do projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental para data centers, centros de processamento de dados e sistemas de armazenamento de energia revela uma disputa regional que vai além de mudanças burocráticas. O que está em jogo é a capacidade de atrair investimentos bilionários e garantir protagonismo em setores que definirão a economia das próximas décadas.
O texto aprovado pelos deputados cearenses estabelece uma política estadual de incentivo a empreendimentos ligados à infraestrutura digital e ao armazenamento de energia. O governo do Ceará optou por imprimir velocidade à tramitação. Estados nordestinos disputam uma corrida internacional por investimentos em data centers, impulsionada pela expansão da inteligência artificial, pela demanda crescente por processamento de dados e pela necessidade de fontes energéticas estáveis.
O Ceará parte de uma posição privilegiada. O Estado reúne vantagens competitivas acumuladas ao longo de décadas, como a presença do complexo portuário do Pecém, a chegada de cabos submarinos internacionais, uma política agressiva de atração de investimentos e uma tradição administrativa marcada pela formulação de projetos de longo prazo. Agora, acrescenta a esse conjunto um ambiente regulatório desenhado para reduzir incertezas e acelerar a implantação de grandes empreendimentos.
O Rio Grande do Norte saiu na frente ao aprovar, neste ano, a regulamentação ambiental para sistemas de armazenamento de energia em baterias, aproveitando sua posição de maior produtor brasileiro de energia eólica. O Ceará, porém, avançou para a etapa seguinte da cadeia produtiva ao criar regras para atrair justamente os grandes consumidores dessa energia.
Enquanto o Rio Grande do Norte se vê preso a discussões regulatórias demoradas, insegurança jurídica e entraves administrativos que afastam investidores, em Fortaleza já se especula sobre o anúncio do segundo mega data center na ZPE do Porto de Pecém com investimento de R$ 350 bilhões que deverão se somar aos R$ 200 bilhões que estão sendo investidos pela ByteDance.
A questão não é apenas flexibilizar regras ambientais. Grandes centros de dados exigem enorme consumo energético, uso intensivo de recursos hídricos e mecanismos rigorosos de monitoramento, mas é preciso encontrar o equilíbrio entre proteção ambiental e competitividade econômica.
O debate ganha importância ainda maior porque o projeto nacional que criaria incentivos tributários específicos para data centers permanece indefinido no Congresso, ampliando a relevância das iniciativas estaduais. Nesse cenário, quem agir primeiro tende a capturar investimentos, empregos qualificados e arrecadação.
O Rio Grande do Norte conhece bem essa dinâmica. Enquanto o Ceará constrói instrumentos para receber a economia digital, o RN ainda não decidiu se pretende participar dessa transformação ou se continuará assistindo, mais uma vez, ao vizinho avançar alguns passos à frente.
Fonte: Tribuna do Norte